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quarta-feira, 3 de março de 2010

O brasileiro não tem o direito de discutir e questionar as normas da ABNT?

Aparentemente, não.

Talvez você não saiba, mas é procedimento comum que normas técnicas sejam tratadas como material sigiloso, apesar de muitas vezes afetarem uma nação inteira. É assim com as normas da IEC e é assim com as normas da ABNT. Quer uma cópia da norma para poder analisar? Você pode adquirir, desembolsando uma quantia "modesta". O preço estipulado para a NBR14136, por exemplo, que afeta cada brasileiro que tenha energia elétrica em casa, é de R$68,80 ( é um valor quase simbólico para a renda do brasileiro médio, não?). Isso na versão para leitura online, porque se eu quiser impressa só de frete vou ter que pagar mais R$32 do Sedex (não há outra opção).

E isso porque a ABNT é uma entidade privada sem fins lucrativos.

Eu até tentei comprar a norma assim mesmo, de tão irritado que estou com ela e com seus defensores. A gota d'água foi um e-mail que recebi do leitor Tom T. com uma discussão entre ele e um representante da PIAL onde este afirma que a NBR14136 não determina qual é o pino neutro na tomada 2P+T.

O que disse o representante da Pial Legrand:
Até onde sei, não existe nenhuma norma vigente no Brasil que diga que o lado direito é do condutor fase e o esquerdo do condutor neutro. Caso você conheça alguma norma NBR que diga isso, por favor, nos avise.

Sou só eu que interpreta assim, ou isso foi bem desaforado?

Como assim? A norma não determina quem é o neutro? Então eu fui comprar a norma para tirar isso a limpo, só para desistir ao me deparar com o Termo de Uso da ABNT (copiei na íntegra, mas o importante eu destaquei em negrito):

------ Início do Termo de Uso ------------------------------------------

Por este Termo de Uso o USUÁRIO CONCORDA COM os procedimentos a seguir informados para adquirir e visualizar o produto ABNT Catálogo (Normas visualizadas e impressas via internet sob demanda) da ABNT - A Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com sede na Cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, na Rua Treze de Maio, nº 13 – 28º andar, inscrita no CNPJ/MF sob nº 33.402.892/0001-06, com sede administrativa na Rua Minas Gerais, 190 – CEP 01244-010, São Paulo, SP, associação civil, sem fins lucrativos, estabelece o presente TERMO DE USO para os USUÁRIOS conforme as condições abaixo discriminadas:


1. Das obrigações da ABNT:

a. A ABNT se compromete em enviar por Sedex as normas que forem adquiridas em formato impresso em até 05 dias úteis após a compensação bancária do boleto ou a baixa eletrônica do pagamento (no caso de pagamento com cartão de credito), no endereço cadastrado pelo usuário.

b. A ABNT se compromete em até 24h úteis após a compensação bancária do boleto ou a baixa eletrônica do pagamento (no caso de pagamento com cartão de credito) a possibilitar o acesso as normas eletrônicas adquiridas, através do site www.abntcatalogo.com.br utilizando o passaporte ABNT (e-mail e senha registrados no momento da efetivação do cadastro de usuário).

c. As normas adquiridas ficarão disponíveis para impressão até sua consumação. Após esse prazo o usuário terá apenas acesso de visualização das normas adquiridas por prazo indeterminado.

d. A ABNT não fornece o arquivo eletrônico das normas em formato PDF ou qualquer outro. Seu acesso para visualização e impressão somente se dá através da instalação do software “Visualizador ABNT” , de sua propriedade.

 
2. Das obrigações do USUÁRIO:

a. Requisitos técnicos

- Configuração mínima das estações: Pentium X, 1 Gb de memória Ram.

- Sistema Operacional Windows 2000 ou superior (versão 32 bits apenas), e internet explorer 7.0 ou superior.

- Acesso à Internet preferencialmente banda larga.

- Instalação da Plataforma Microsoft .NET Framework 2.0

- Será instalado um componente (software) abnt.dll no computador do usuário, por ocasião da primeira aquisição, com a função de permitir a visualização e impressão das normas adquiridas.

- as instruções para a instalação do “Visualizador ABNT” estão contidas no endereço http://www.abntcatalogo.com.br/instalacao.aspx

3. O USUÁRIO está ciente de que:

a. É vedado modificar, copiar, distribuir, transmitir, exibir, realizar, reproduzir, publicar, disponibilizar, licenciar ou criar obras derivadas a partir das informações coletadas nas Normas Técnicas da ABNT, bem como transferir ou vender tais informações, sob pena de violação do presente termo e infração legal;

b. É vedado fazer a distribuição de cópias das Normas;

c. É vedado utilizar de qualquer forma trechos, técnica de engenharia reversa no desenvolvimento ou criação de outros trabalhos a fim de se analisar sua constituição;

d. É vedado divulgar conteúdo ou arquivos sem autorização;

e. É vedado liberar acesso a terceiros de forma ilícita;

f. Deverá completar o formulário cadastral fornecendo dados e informações verdadeiras e precisas, responsabilizando-se civil e criminalmente por sua veracidade, devendo atualizar os dados e informações sempre que houver alterações.

4. As partes elegem o foro da Comarca de São Paulo, Estado de São Paulo, como competente para dirimir quaisquer controvérsias decorrentes deste TERMO DE USO, independentemente de qualquer outro, por mais privilegiado que seja ou venha a ser.

------ Fim do Termo de Uso ------------------------------------------

Então eu pergunto: Como é que a população pode discutir as normas que afetam seu dia-a-dia engessada desse jeito?

Nos EUA a coisa também é assim, com uma pequena mas importante diferença: Normas que viram lei podem ser ao menos lidas de graça. Esse é o caso do "National Electrical Code", que tem 1000 páginas e pode ser visualizado de graça no site da NFPA através de um aplicativo java. Então mesmo que eu não possa copiar e colar trechos da norma, eu posso citar exatamente página e parágrafo que, nos EUA, qualquer um pode conferir de graça.

Na nação das/dos bananas qualquer um que queira acompanhar um raciocínio vai ter que pagar no mínimo R$68,80 à ABNT.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

O Interruptor Diferencial Residual expõe mais conversa mole da NBR14136.

Não, não é a "Rebimboca da Parafuseta". O título é sério mesmo. Eu não ia falar sobre isso agora, mas como o Luciano mencionou o assunto nos comentários do post anterior, aqui vou eu...

Poucos no Brasil sabem, mas existe um dispositivo elétrico que, pelo seu princípio de funcionamento, pode proteger as pessoas em uma casa inteira contra choques. O dispositivo é chamado de Interruptor de Corrente de Fuga (esse foi o termo que aprendi na Escola Técnica), Interruptor Diferencial Residual ou Dispositivo Diferencial Residual. A Pial abrevia para "IDR" e você também vai encontrar como "DDR", mas a sigla oficial é "DR" apenas.


 É importante notar que o DR não é (e não serve como) um "disjuntor", apesar de se parecer com um.

25/01/2024: Hoje é mais comum encontrarmos DR e disjuntor em um mesmo dispositivo do que um dispositivo que é apenas DR. Existem até dispositivos eletrônicos que tem as funções de medidor de energia Wi-Fi, DR, relé de sub/sobre tensão e relé de sobrecarga em um único dispositivo.

O princípio de funcionamento é simples: o DR é conectado em série com um circuito inteiro (ou a casa inteira) e passam por ele tanto o fio fase quanto o neutro. O DR então compara constantemente a corrente que passa pelo fio fase com a que volta pelo fio neutro. Se houver diferença, existe uma fuga para a terra. Se essa diferença for maior que a corrente de gatilho, o DR desarma (desligando a energia) em alguns milisegundos.

 Essa fuga pode significar duas coisas:
  1. Alguém está levando um choque;
  2. Existe um outro "vazamento" de corrente em algum lugar
O DR tem essas duas finalidades. Proteger pessoas e proteger patrimônio.

24/06/2014: É importante notar que o DR não impede o choque de acontecer. Você ainda vai "sentir o tranco". A finalidade do DR é fazer com que esse choque seja breve, evitando assim que você morra. Os efeitos da corrente elétrica no organismo humano dependem da intensidade (corrente) e da duração.

O problema de se instalar o DR em uma residência é justamente manter "2" sob controle (falarei mais sobre isso adiante).

Segundo o artigo na Wikipedia, nos EUA, dispositivos DR que tem a finalidade de proteger pessoas tem uma corrente de gatilho de meros 5mA. Aqui no Brasil só se encontra esse tipo de dispositivo no comércio com corrente de gatilho de 30mA, o que nos EUA só se aceita para proteger equipamentos e instalações.

Uma corrente de gatilho de 30mA basta para salvar uma pessoa? Não sei se basta (os americanos acham que não), mas pode, sim. 

Eu acabo de falar com meu ex-chefe, que é engenheiro eletrônico e ainda é chefe da manutenção da fábrica onde trabalhei e ele me confirmou que pela norma brasileira o DR de 30mA é o usado para proteger pesssoas.

E o negócio funciona. Uma vez um amigo me disse que tinha recebido um agradecimento entusiasmado de um cliente que ele convencera a instalar um DR, porque no dia anterior o filho dele saiu na chuva para abrir a garagem e na hora que enfiou a chave no portão a casa inteira desligou. O portão estava dando choque e o DR protegeu o menino.

Por que isso não é divulgado e usado em toda parte?

Boa pergunta. Eu só posso afirmar que existem dois problemas com o DR:
  1. É caro. Mas R$100 por circuito é irrelevante diante do valor de uma vida humana.
  2. A instalação elétrica e todos os seus equipamentos precisam ser livres de fugas, ou você vai acabar se irritando muito com desarmes "sem explicação".

Para tentar minimizar os transtornos ocasionados por "2" é preciso separar a casa por circuitos e usar vários DRs, evitando que um desarme ocasional deixe a casa inteira sem energia e facilitando a localização do culpado. Também não é possível usar DR no circuito que tem chuveiro elétrico, porque a fuga natural do chuveiro costuma ser maior que os 30mA (edit: estou desatualizado, leia comentários). Residências simples e com instalação bem feitas, entretanto, podem funcionar perfeitamente com apenas um DR.

Apesar dos problemas, por que o governo não incentiva o uso de DRs (supostamente obrigatório desde 1990), que realmente protegem contra (edit: quase) qualquer situação de choque, em vez de soluções "meia boca" como vender tomadas com buracos na frente? O DR te protege contra equipamentos "dando choque", te protege contra descuidos ao trabalhar com instalação ligada e te protege contra fios desencapados, entre muitas outras situações perigosas. As tomadas, não. Essa é mais uma questão a se colocar na mesa quando se discute a validade da já maldita NBR14136.

Meu melhor palpite, movido pela minha total descrença na seriedade do INMETRO com essa norma, é que este seja "o próximo passo". Daqui a alguns anos vai aparecer uma campanha revelando que as tomadas protegem, mas não de tudo. E finalmente vão divulgar os DRs. Nossa indústria lucra duas vezes em vez de apenas uma.

P.S. Diante do que expus acima dá para entender por que os norte-americanos tem um padrão de plug e tomada tão "inseguro" e parecem estar se lixando para isso. Com uma norma que obriga o uso (e lá normas são levadas a sério) de DRs de 5mA, quem precisa perder tempo se preocupando com tomadas?

A conversa mole dos defensores da NBR14136. 1a parte.

Veja esta imagem do site da Siemens, que exalta uma das supostas vantagens da NBR14136 (o padrão brasileiro de tomadas):



Esta imagem está sendo usada para ilustrar como o novo padrão acaba com uma confusão de sete modelos de tomada diferentes que existiam até então. Eu enxergo três mentiras nessa imagem:

Primeira mentira - As tomadas de 1 a 4 se resumem a apenas UMA (leia todo o texto).

Imagem Siemens - Correção 1

Segunda mentira - WTF? Eu nunca vi a tomada 5 em uso aqui no Recife. E a 7 se parece muito com um plug alemão que até hoje eu só vi na sala de aula da Escola Técnica Federal e em algumas máquinas alemãs da fábrica onde trabalhei. De qualquer forma, nunca vi nenhuma das duas em residências. Isso é certo.


Imagem Siemens - Correção 2


Terceira mentira - O novo padrão tem DUAS tomadas (20A ou 10A) e não apenas UMA como a imagem acima falsamente insinua. É verdade que o plug de 10A encaixa na tomada de 20A também, mas ninguém em seu juízo perfeito vai colocar tomadas de 20A na casa toda (são mais caras). Então essa tomada continua sendo tão "especializada" quanto a anterior.

Imagem Siemens - Correção 3


Note que eu estou propositalmente ignorando o fato de que o novo padrão tem uma terceira tomada, sem pino terra (mais barata), porque aí teríamos que contar com a tomada antiga sem o pino. Ficam elas por elas.


Sabe o que a imagem original da Siemens realmente representa? O número de modelos de plugs e tomadas que os fabricantes puderam parar de fabricar e estocar graças ao novo padrão!

A propósito, a mesma mentira está estampada no site do INMETRO, de uma forma ainda mais absurda (grotesca, até):


Notem como o mesmo tipo de plug é representado mais de uma vez em diferentes estampagens, só para fazer número. Se o INMETRO queria padronizar isso, poderia tê-lo feito sem criar novas tomadas!

Enxergando além do engodo do INMETRO, eu vejo isto:


Conclusão: Considerando apenas a conversa fiada de reduzir o número de tomadas diferentes, restringir a fabricação às duas tomadas antigas mostradas na figura "correção 3" já bastaria, sem a criação de novas tomadas. Temos ainda o quesito segurança, mas isso é tema para o próximo post.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Como ligar equipamento novo nas tomadas antigas.

Sem danificar ou modificar o equipamento.

O primeiro susto que eu tive com o padrão novo de plugs ocorreu quando eu comprei uma impressora HP Laserjet P1005 no mês passado e esta veio com um cabo de energia 2P+T no padrão novo:


%$%&#@%$$%##. Não existe uma única tomada na minha casa compatível com esse padrão! O susto foi breve, porque como o cabo da impressora é destacável e segue o padrão de cabos destacáveis para computador, bastou ignorá-lo solenemente e usar um dos muitos cabos de gabinete que tenho sobrando aqui.

Mas então um cliente me chamou para fazer a configuração básica em um notebook ACER que tinha acabado de comprar e aconteceu a mesma coisa, só que desta vez não era tão simples de contornar. Por sorte o meu notebook HP usava o mesmo tipo de cabo destacável que o ACER então eu pude usar o meu cabo para fazer o trabalho e o cliente ficou de comprar um adaptador depois.

Na hora eu concordei e, como percebi que eu iria encontrar mais casos que não poderiam ser resolvidos com uma simples troca de cabo, no dia seguinte eu fui procurar no comércio um adaptador desses para ter na bolsa. Para meu espanto descobri que, pelo menos aqui no Recife, eles não existem!

Isto é: existem adaptadores à vontade para você plugar um equipamento antigo nas tomadas novas, mas não o inverso.

Então eu parti para preparar uma gambiarra um artifício técnico:



O adaptador acima, que não existe pronto e também serve como extensão, foi montado por mim com um prolongador PIAL como este (R$5,90 no Atacado dos Presentes de Recife):


E um cabo de gabinete comum. O custo total deve ser inferior a R$10 na maioria das grandes cidades. Para mim isso cobre todas as possibilidades e se você é técnico de manutenção vai precisar andar com pelo menos um desses na bolsa.

Não encontra mais tomadas antigas? Rebele-se, pois ainda dá para contornar.

Aparentemente existe uma brecha na lei, porque pelo menos aqui em Recife a venda de filtros de linha com tomadas "normais" ainda é generalizada e a oferta parece até ter aumentado. A idéia é fazer algo assim:



A foto é de 2006. Na época a empresa onde eu trabalhava estava construindo um novo escritório para o Departamento de Manutenção e eu sugeri que em vez de instalar uma enorme quantidade de tomadas tradicionais, ficaria mais barato, mais simples e mais elegante instalar filtros de linha Clone F6. Minha idéia foi aceita e o escritório inteiro ficou como mostrado na foto acima, das tomadas da minha mesa. É claro que a mesma coisa pode ser feita mais próxima do rodapé. No nosso caso é que foi decidido que seria muito mais conveniente instalar as tomadas acima do nível das mesas.

Perceba que o plug original do filtro foi cortado e este foi conectado diretamente à instalação. A foto mostra uma tomada tradicional no local por bobeira do eletricista que fez o serviço, porque a idéia original era haver uma tampa cega ali. Edit: Leia os comentários.


Eu comecei a fazer isso por volta de 2005 ou mesmo antes, quando descobri que uma única tomada 2P+T custava R$11 no comércio e eu podia comprar um filtro de linha Clone F6 (seis tomadas, chave e fusível) por R$16. E esse filtro ainda pode ser encontrado por R$16 em Recife.

É claro que isso só serve para quem tem a mente aberta. Se você está preso à mentalidade tradicional essa solução vai parecer no mínimo esquisita.  Mesmo entre meus colegas técnicos em eletricidade e eletrônica eu encontrei resistência quando sugeri isso pela primeira vez.

Edit: A mesma idéia aplicada aqui em casa, em um lugar mais discreto: o fundo do rack da TV.


Estão conectados: TV, MicroSystem, DVD player e os carregadores de dois telefones sem fio.