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quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ligou a fonte de 110V em 220V? Não jogue fora ainda.

Para esta dica você precisa no mínimo de um multímetro, desses que são vendidos por R$15 por aí e de um mínimo de familiaridade com eletricidade e segurança ao lidar com ela.

Esta dica vale apenas para fontes lineares (não-chaveadas, o que exclui de cara as fontes de computador) e para dispositivos simples como torradeiras, ventiladores, liquidificadores, etc.

Se a sua fonte é linear com entrada de 110V, foi ligada em 220V e pifou, ainda existe uma pequena chance de que possa ser consertada por você mesmo.

O exemplo abaixo é uma fonte de 7.5V x 1500mA, modelo AM-0751500D da D-Link, que veio com um roteador DI-524. Foi preciso usar uma serra para abrir a caixa porque estava fechada com cola. Com a caixa fechada o diagnóstico de "queimada" já era indiscutível, porque medindo com um multímetro os terminais de entrada dava circuito aberto.



A propósito, como distinguir uma fonte linear de uma chaveada sem precisar abrir? O peso! A fonte acima pesa quase meio quilo. Uma fonte chaveada de mesma capacidade (JENTEC JTA0302PG) pesa uns 150 gramas.

O primeiro sinal de que a fonte pode ser consertada: Entre os terminais 1 e 2 o circuito está aberto, mas entre 2 e 3 existe uma resistência típica de primário de transformador. Note o pequeno volume na bobina, como se houvesse algo escondido.



Cortando cuidadosamente dá para ver do que se trata:






Isto é um "Thermal Cutoff" (dá para traduzir como "fusível térmico"). O objetivo dele é proteger o circuito contra incêndio, abrindo permanentemente o circuito caso a temperatura passe de um determinado valor. No caso, 115 graus centígrados.


Este é um Thermal Cutoff modelo A2-F, da AUPO.

Como resultado da ação dessa proteção, o aparelho nem sempre está inutilizado e às vezes pode ser consertado facilmente. Em geral você tem duas opções:
  • Substituir o fusível por outro equivalente, pelo menos da mesma temperatura nominal;
  • Curto-circuitar os terminais do fusível soldando um fio entre eles. Neste caso, da próxima vez que você cometer o erro de ligar a mesma fonte em 220V não vai haver nada para protegê-la.
Infelizmente, dada a carência do nosso comércio e o tempo/custo de conseguir pelo correio um fusível desses, muitas vezes optamos pelo segundo caminho.

Se você tiver sorte, a fonte estará consertada. Se não tiver, vai queimar de vez ao ser ligada, porque antes do fusível abrir o aquecimento danificou irremediávelmente o verniz que isola o enrolamento. Se você tiver ferramentas (teste lâmpada-série, amperímetro, termômetro, etc) pode perceber que não tem mais jeito antes da fumaça começar a sair. Do contrário, conecte a saída da fonte ao multímetro na escala de voltagem adequada, ligue a fonte em uma tomada protegida por fusível e interruptor (um filtro de linha, por exemplo) e fique de olhos e nariz de prontidão. Se subir um "cheirinho de ampere", desligue e condene.

De uma forma ou de outra jamais ligue a fonte no aparelho que ela alimentava antes de comprovar que está OK. Tenha em mente que é normal uma fonte linear apresentar em sua saída uma tensão um pouco mais alta que a nominal, quando está ligada apenas ao multímetro (não há carga).

A propósito, a fonte do exemplo acima não pôde ser consertada por esse método e tive que mandar re-enrolar. Aqui em Recife me cobraram R$25 para refazer o enrolamento já convertendo o primário para 220V, com garantia de seis meses. Mas já consegui recolocar em operação por este método vários carregadores de baterias da RAYOVAC.

13 comentários:

  1. Uma dica. No lugar do fusivel termico você pode soldar um fio finissino de forma servir de fusivel. OU se quiser uma coisa mais adequada, eu costumo verificar a corrente do primario e adapto um fusivel comum com a corrente bem no limite necessario, soldo dois fios nos terninais do fusivel e o acondiciono dentro de um espaguete termo-contratil. É melhor do que ligar um fio direto ai no lugar e ficar com zero de proteção.

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  2. Por 25 reais não é melhor comprar outra fonte? Vendem por aí por menos que isso...

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  3. De 7.5V x 1.5A?

    Prá começar, é uma especificação incomum. Aqui em Recife eu não acredito que saia mais barato que isso, embora eu não tenha procurado.

    Eu me baseei em uma pesquisa no Mercadolivre para apurar o preço de uma fonte. Usadas elas chegam a custar mais que isso. E ainda tem o frete. As que tinham um preço razoável não tinham garantia (ou um vendedor confiável por trás).

    Eu desconfio que um transformador novo pudesse sair mais barato que isso, mas o difícil é encontrar no comércio chinfrin de Recife um trafo com as mesmas especificações e o mesmo tamanho (importante, senão não cabe na caixa da fonte).

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  4. Ja penso ao contrário. Imagine-se em uma situação onde precisa ligar algo emergencialmente e não tem como comprar outra fonte ou trafo. Saber algo assim ajuda e muito.
    Eletrônica para uma guerra,por exemplo. Ou para arrumar um rádio para chamar ajuda.

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  5. Eli Rios,

    Se você está se referindo ao comentário de Dr. Amithai, não deve ter notado que ele estava se referindo ao que eu paguei para consertar a fonte porque ela não pôde ser consertada pelo meu método.

    Na situação em que estava a fonte das fotos, numa guerra eu precisaria estar equipado para enrolar transformadores :)

    O que não é muito difícil. Tendo o fio de cobre adequado e conhecendo umas poucas regras, com paciência qualquer pessoa pode reconstruir a maioria dos transformadores, sem ferramentas especializadas.

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    1. Jefferson, consertei uma fonte idêntica trocando o transformador. Como quero usá-la no meu telefone sem fio, pus um de 600mA (a original do fone era 7.5v por 300mA). Mas a tensão de saída está em 10.8v no multímetro, estou com receio de plugar o telefone. O que você me diz?

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  6. Jefferson,

    Você poderia fornecer o contato onde você mandou enrolar a fonte aqui em Recife?

    Agradecidamente.

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  7. Isso foi no Centro, na Rua da Concórdia. Imagino que tenha sido na Casa dos Transformadores.

    Não fui eu quem levou. Minha mãe foi levar e buscar e só paguei.

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  8. Professor Nogueira16/12/09 23:08

    Olá.. è a primeira vez que participo, e sou leigo no assunto. Entretanto, busco auxílio. Possuo uma Jentec JTA0302P 7.5V-1.5A, que sem mais nem menos parou de funcionar. Ao abri=la não detectei (a olho nu) nenhuma alteração em seus componentes. Daí gostaria de algumas sugestões sibre quais tipos de testes e como e o que medir para tentar chegar a alguma conclusão plausível. O pior é que tá dificil encontrar esta fonte separadamente do aparelho para comprar...
    Antecipadamente grato...

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  9. É muita generosidade do nosso blogueiro dedicar seu tempo a nos ensinar a consertar uma fonte. Você está de parabéns! Agora, sobre os infelizes comentários sobre comprar uma fonte nova, só tenho a lamentar a mentalidade consumista e tacanha que ainda predomina por aí... Consertar, reutilizar, reciclar, entre outras, são palavras-chave para a construção de cidadãos conscientes de seu papel diante do meio-ambiente e mesmo do mercado. Isto além do principal: aprender a fazer as coisas, se deliciar com o conhecimento, pois isto sim tem valor, isto sim é um verdadeiro valor a ser cultivado se queremos construir um país livre e independente! Vida longa ao blogueiro anônimo!

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    1. Parabéns pelo comentário e parabéns pelo post, caro Jefferson. Aqui no Mato Grosso, a dica pode me ajudar à economizar R$ 180,00, que foi o valor que o técnico me cobrou para o tal conserto. Conhecimento é tudo, abraços..

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  10. Queimei uma fontezinhas destas 110 X 9 v.da D-Link, liguei em 220v, por falta de atenção pensando que era bivolt (automática) porem era bem antiga. Ai vai a minha pergunta, quando se queima o primário o secundário queima também? sou leigo e muito curioso, e dá uma dó de jogar fora sem antes tentar reparar.

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    1. Não necessariamente, mas é muito difícil determinar isso sem desmanchar o transformador porque é difícil disntinguir a resistência do secundário bom do secundário em curto. De qualquer forma, eu nunca vi ninguém cobrar o conserto por enrolamento.

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